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Sexta-feira, Outubro 20, 2006
Fétido
Fechei-me neste mundo todo falso
Onde tenho dificuldade de sair
Aliás, duvidei da minha capacidade.
E ainda duvido...
Seria eu capaz de enfrentar tudo isso?
Metade já está aqui em minhas entranhas
Como é que pode um mundo tão amargo?
Precisamos todos nos prostituir a estas migalhas?
Preciso responder a todos?
Poderia romper com esta promessa já enterrada?
De que vale?
A verdade é que minto
E que tudo o que me faz levantar
Não é o suficiente pra me tirar o sono
As manhãs são sofríveis e cansativas
Pois ao deitar quero sumir
Ao acordar não quero mais estar aqui
Eu não quero essa casa
Eu não quero nenhum papel
Eu quero fechar os olhos e chorar sozinha
Eu quero escrever no meu corpo toda a dor que ele esconde
Eu quero que você saiba que eu te amo
A fúria e a serenidade me deprimem
Toda esta dor me tira o ar
Simplesmente estou chorando novamente
Este vazio impertinente que teima em me seguir
Eu tento lutar
Mas a cada passo que dou meus pés riscam o chão
Meus olhos são pesados e vermelhos
Minhas garras fixam-se nas paredes
Onde escrevo em vermelho:
Liberte-se
Vai deixar mais uma vez
Que palavras alheias influenciem tuas forças?
Vai deixar que mais uma vez te digam o que é melhor?
E teus sonhos onde foram parar?
Porque se preocupa tanto com os outros...
Mas uma vez está esquecendo das suas dores
Mascarando todas elas com fitas
E entregando-se ao primeiro que lhe oferece um ombro
O que ganha em troca?
E é preciso querer algo em troca?
Somente sento e choro
Essa temperança idiota tem tomado o meu tempo
O medo de falhar é tanto
Que nem ao menos tento...
Quando começo a sonhar
Vêm a verdade segura meus olhos
Abre a minha boca a força
Empurra seus dejetos em minha boca trêmula
Com uma colher suja e enferrujada:
- Toma a realidade
Engula tudo
Engula a dor
Isso... finja
Finja a felicidade enquanto dou-te a realidade
Não era o que queria?
A verdade?
Pois bem, agora que te dou...
Fica reclamando
Fica bem quietinha e aceita
Já que é isso que está acostumada a fazer a vida inteira.
Levanto, cuspo na sua cara.
Mas que porra é essa?
Pego um estilete e corto no seu peito
Escrevo verdade
Amarro-te e faço que me ouça
Grito
Bato e sorrio
Não me sufoques mais
Nem tu nem ninguém tendes o direito
De deturpar a mim deste modo
Junte-se aos outros
E pare com essa mania de grandeza.
Por: Deborah da Costa de Sá
Compilado porDEBORAH C. SÁ
4:26 PM

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